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quarta-feira, 17 de maio de 2017

A minha homenagem ao meu amigo Delfim Sepúlveda - O verdadeiro mágico

Texto: João Carlos Lopes

Força meu "Melrinho". Aquele abraço! 

O VERDADEIRO MÁGICO

Movimentava-se em campo com a leveza de uma gazela e a beleza de um pavão, evidenciava a esperteza da velha raposa e desafiava os adversários como o mais sábio dos predadores. 

Equipa onde jogasse, ocupava o lugar principal, o de maestro, dirigindo os colegas com movimentos, ora lentos, ora enérgicos, da sua batuta.

O seu futebol transbordava alegria porque se alimentava dos frutos da sua própria imaginação. 

Da sua arte de bem jogar nasciam golos, por outros transformados, na alegria do povo que vive da utopia do futebol. 

A sua capacidade de improviso, não isenta de movimentos tecnicamente perfeitos, fazia pulsar corações, criava adrenalina e fomentava a esperança de sucessivas vitórias. 

O seu futebol era magia pura misturada com rebeldia, ingredientes que sempre se prezaram de fazer parte dos condimentos futebolísticos dos grandes jogadores mundiais. 

A sua visão de jogo tinha os olhos da águia e os seus passes precisos eram tirados a régua e esquadro, como se de alta tecnologia se tratasse.

A sua fama corria célere e o seu dia de glória não tardaria a chegar, apesar de, por paixão e amor a este desporto, aceitar jogar em qualquer clube que lhe parecesse digno da sua presença, independentemente do escalão ou historial. 

Tantas vezes derrubado, pela incapacidade de concentração e marcação dos adversários que lhe apareciam pela frente e que ia deixando constantemente para trás, boquiabertos por pormenores só vistos em grandes mestres no trato da bola. 

Era um senhor em campo, onde deixava um futebol perfumado, cujo aroma ainda hoje perdura na mente daqueles que tiveram a felicidade de ver evoluir a sua capacidade de improviso. 

A vida foi-lhe madrasta e fez aquilo que nenhum jogador tinha conseguido até então, derrubou-o de forma irreversível. 

Agora, a bola, de tão mal tratada, ainda chora pelo contacto suave dos seus pés e pelas virtudes das suas capacidades.

Delfim Sepúlveda foi o melhor médio centro que estes olhos, que a terra um dia há-de comer, viram jogar. 

O seu futebol permanecerá na imaginação de cada um de nós, porque foi autêntico, colorido e extraordinário, capacidades só dignas de um verdadeiro mágico.

Texto do meu livro em sua homenagem: DELFA - JOGADOR UNIVERSAL (2004)

Nota: Faz hoje 17 anos que ocorreu o acidente que o retirou dos campos de futebol. 

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